“Quem gosta de ver documentário é meio louco. Qual é o público de documentário no Brasil? Uns 10 mil?” Com essa e outras ironias brilhantes, Eduardo Coutinho, mestre do documentário, falou ao público e imprensa sobre seu filme “Moscou”, exibido no Festival. Coutinho é autor de “Cabra Marcado para Morrer” (1985), considerado pela crítica o melhor documentário brasileiro de todos os tempos. Na noite desta segunda, Coutinho dedicou a sessão de “Moscou” a João Moreira Salles, seu produtor e colaborador.
O filme reúne fragmentos de uma montagem do clássico russo “As Três Irmãs”, de Tchecov, pelo grupo mineiro Galpão. “A verdade não me interessa. A memória é ao mesmo tempo mentira e verdade. E o ator é pago para viver a paixão dos outros. Minha idéia foi colocar esses contadores profissionais de história para contar aquilo que as outras pessoas contam cotidianamente”.
Coutinho, que já havia participado da primeira edição do Festival no ano passado, elogiou a projeção de seu filme no Theatro Municipal. “A única coisa que eu peço é que o filme seja bem exibido, com uma boa imagem e um bom som. Em outros festivais, já tive filme exibido até com rolo trocado. Parabéns pelo conforto das poltronas do cinema e pela qualidade da projeção de ontem”.