Como prévia à inauguração do Estúdio de Animação de Paulínia, animadores e profissionais ligados à animação debateram o futuro da técnica no Brasil no debate “Animação: Da Ideia à Realização”, com mediação de Emerson Alves.
O animador israelense Effi Wizen, que trabalhou em filmes como “A História Sem Fim 2” e coordenará o Estúdio de Animação de Paulínia, falou das propostas do novo estúdio. “Nossa ideia não é fazer do Brasil uma segunda China em termos de animação. Não podemos competir com a mão-de-obra e a baixa remuneração deles. Também não queremos trabalhar para o mercado americano, mas produzir animações autenticamente brasileiras. Porém, como não temos uma grande demanda no Brasil, devemos buscar um padrão internacional para os projetos”.
Céu D’Ellia, primeiro animador brasileiro contratado pela Dreamworks, produtora de “Shrek”, afirmou que o dilema das animações no Brasil é fazer seu filme para o cliente ou para o público. “As produtoras tem que se preocupar em desenvolver um projeto que atenda o edital do governo, e com isso às vezes não desenvolvem a linguagem da animação”.
Kiko Mistrorigo, diretor da produtora TV Pinguim e responsável pela animação “O Peixonauta”, exibido na TV paga, diz que um dos problemas do mercado brasileiro é que “a TV fechada é aberta, e a TV aberta é fechada para a animação”. “Precisamos que a TV aberta esteja aberta a parcerias para nos exibir. A TV paga se interessa porque precisa reinvestir parte de seus lucros na produção nacional”.
Participou do debate também o animador Cesar Cabral, diretor do curta “Dossiê Rebordosa”.